À TV Atual Record News, Guilherme Boulos defende fim da escala 6×1

Ministro afirmou que proposta para reduzir jornada deve ser enviada ao Congresso ainda em março

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta quinta-feira (26), em Goiânia, que o governo federal pretende enviar ao Congresso Nacional, ainda em março, o projeto de lei para reduzir a jornada de trabalho e acabar com a escala 6×1. A declaração foi dada em entrevista à TV Atual Record News, durante agenda na capital goiana.

Boulos disse que está em Goiânia a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para organizar o programa Governo do Brasil na Rua. Segundo ele, a iniciativa busca levar serviços e políticas públicas diretamente às periferias. “É uma iniciativa para levar as políticas do governo e programas para a periferia, que é onde mais se precisa e muitas vezes não há acesso”, afirmou.

O ministro explicou que a ação deve facilitar, por exemplo, a realização de perícias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com previsão de pagamento do benefício já na semana seguinte para quem tiver direito. Ele também citou o programa Pé-de-Meia como uma das políticas que terão acesso ampliado. A expectativa do governo, segundo Boulos, é levar o projeto a todo o país até julho.

Sobre a escala 6×1, o ministro afirmou que a medida “não deveria nem existir” e que o debate vai além de posições ideológicas. “Não é uma questão de esquerda ou direita, mas de humanidade e de saúde do trabalhador”, disse. Ele mencionou o aumento de casos de burnout, estresse e depressão entre trabalhadores e destacou o impacto da jornada sobre as mulheres. “Muitas vezes o único dia de descanso ainda é de trabalho em casa”, afirmou.

Questionado sobre o tempo de tramitação da proposta, Boulos lembrou que a pauta já havia sido apresentada em novembro de 2024 por meio de proposta de emenda à Constituição e disse que houve demora na Câmara dos Deputados. Ele atribuiu a resistência a setores que, segundo ele, se opõem à ampliação de direitos trabalhistas.

O ministro também criticou a retirada da taxação das apostas esportivas (bets) de projeto voltado ao combate ao crime organizado. Segundo ele, os recursos seriam destinados a investimentos em segurança pública. Boulos afirmou que o governo continuará defendendo a tributação do setor.

Perguntado sobre como seria possível taxar as bets após a retirada do trecho do projeto, o ministro disse que o tema deve voltar ao debate político. “É o debate que temos que fazer em outubro deste ano. A população terá a oportunidade de eleger um Congresso diferente, comprometido com o povo, não com os bilionários de bancos e bets”, afirmou. Ele acrescentou: “Tendo um Congresso diferente, no primeiro dia de 2027 vamos aprovar essa taxação”.

Ao comentar investigações relacionadas ao Banco Master, o ministro defendeu a apuração dos fatos e fez críticas ao governo anterior. “Quem está envolvido com o esquema do Banco Master tem que ter medo. O presidente Lula não segura investigação; se houver qualquer envolvimento, que seja investigado”, disse. Na sequência, acrescentou: “Enquanto o Bolsonaro demitiu o diretor da PF para salvar o filho dele na investigação de milícia e rachadinha”.

Boulos disse ainda que pretende permanecer no cargo até o fim do mandato do presidente Lula e que sua prioridade é aproximar o governo da população. Ele avaliou que há parlamentares comprometidos no Congresso, mas afirmou que, na visão dele, a maioria das decisões recentes não tem favorecido os trabalhadores.

 

Reprodução/TV Atual Record News