Praga do milho causa prejuízo bilionário no país

Cigarrinha-do-milho gerou perdas estimadas em R$ 33,6 bilhões por ano, aponta estudo divulgado em 7 de abril de 2026

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) tem causado prejuízo anual estimado em US$ 6,5 bilhões (R$ 33,6 bilhões) à produção nacional. Os dados constam em estudo divulgado na terça-feira (7/04/2026) pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Entre as safras de 2020 e 2024, as perdas acumuladas chegaram a US$ 25,8 bilhões (R$ 134,16 bilhões). O impacto representa uma redução média de 22,7% na produção, equivalente a cerca de 31,8 milhões de toneladas por ano.

Segundo o levantamento, aproximadamente 2 bilhões de sacas de 60 quilos deixaram de ser produzidas no período. Além disso, os custos com aplicação de inseticidas cresceram 19%, superando US$ 9 por hectare.

Revista científica

O estudo foi publicado na revista internacional Crop Protection e utilizou dados da Companhia Nacional de Abastecimento desde 1976. A pesquisa analisou os efeitos dos enfezamentos do milho, doença causada por bactérias transmitidas pela cigarrinha.

Também participaram do levantamento especialistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

De acordo com a Embrapa, a praga é considerada o principal desafio sanitário da cultura do milho no Brasil nas últimas décadas. O estudo foi conduzido em 34 municípios de regiões produtoras.

Segundo o pesquisador Charles Oliveira, em cerca de 80% das localidades analisadas, a cigarrinha foi apontada como fator central na queda de produtividade.

A praga

A cigarrinha-do-milho transmite patógenos ao se alimentar de plantas infectadas e repassá-los para plantas sadias. A doença pode se manifestar nas formas pálida e vermelha, alterando a coloração da planta e comprometendo a produção de grãos.

Não há tratamento preventivo eficaz contra o enfezamento, o que pode levar à perda total das lavouras. Segundo pesquisadores, surtos mais frequentes passaram a ocorrer a partir de 2015, associados a mudanças no sistema produtivo, como a expansão da safrinha.

Impactos

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho. Para a safra 2025/2026, a estimativa é de produção de 138,4 milhões de toneladas, segundo a Conab.

Especialistas apontam que os prejuízos impactam diretamente a renda dos produtores e podem afetar preços ao consumidor, já que o milho é base para cadeias como aves, suínos, leite e biocombustíveis.

A Embrapa recomenda medidas de manejo para reduzir os danos, como eliminação de plantas voluntárias, sincronização do plantio, uso de cultivares resistentes e monitoramento das lavouras.

 

 

 

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