A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) escolheu 20 cidades goianas para participar da elaboração de planos municipais de adaptação às mudanças climáticas. A seleção faz parte de mais uma etapa do Programa Adapta Cidades, iniciativa federal a qual o Estado aderiu em fevereiro de 2025.
Foram escolhidos os municípios de Águas Lindas de Goiás, Anápolis, Aragarças, Bom Jesus de Goiás, Caldas Novas, Catalão, Ceres, Cidade Ocidental, Goiânia, Goianira, Goiatuba, Hidrolândia, Iporá, Itumbiara, Nerópolis, Palmeiras de Goiás, Pires do Rio, Rio Verde, Senador Canedo e Trindade.
Segundo a gerente da área de adaptação climática da Semad, Natália Brito, a secretaria desenvolveu uma metodologia própria para garantir um diagnóstico mais representativo do estado, incluindo municípios com diferentes necessidades.
Entre os critérios estão a incidência de secas e áreas afetadas por queimadas, alterações na distribuição das chuvas, ausência de remanescentes de vegetação nativa e o tamanho da população de cada município.
Os municípios já iniciaram a trilha de conhecimento do programa, com acesso ao curso de formação sobre elaboração de Planos Municipais de Adaptação à Mudança do Clima. Agora, uma capacitação vai preparar gestores e equipes técnicas municipais para diagnosticar riscos locais, definir prioridades, estabelecer metas e construir estratégias para enfrentar eventos extremos como secas, ondas de calor, enchentes e incêndios florestais.
A gerente da Semad reforça que, por meio desta iniciativa, acredita-se que municípios selecionados vão avançar de forma estruturada para a elaboração de seus próprios planos de adaptação, alinhados às necessidades regionais e às diretrizes nacionais.
“Embora só 20 municípios tenham sido selecionados, a Semad reforça que todos os outros podem participar da jornada de adaptação climática e acessar os conteúdos formativos disponibilizados. A proposta é ampliar a cultura de planejamento climático em todo o estado, fortalecendo a resiliência urbana, a segurança hídrica, a proteção ambiental e a qualidade de vida da população goiana”, afirma Natália.
As mudanças climáticas impactam os territórios de formas diferentes, e em Goiás os principais pontos de atenção estão relacionados ao aumento das temperaturas e à redução da disponibilidade hídrica. Segundo a gerente da Semad, os longos períodos de calor intenso e as alterações no regime de chuvas já afetam diferentes regiões do estado e tendem a se intensificar nos próximos anos.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da plataforma MapBiomas apontam que o Cerrado está entre os biomas brasileiros mais afetados pelas queimadas. O aumento das temperaturas, aliado à intensificação dos períodos secos, amplia a vulnerabilidade do bioma a novos focos de incêndio.
No campo dos recursos hídricos, as mudanças na distribuição das chuvas ao longo do ano comprometem o abastecimento em diversas áreas do Cerrado. Natália explica que as temperaturas mais elevadas também aumentam a perda de água do solo por evaporação e pela transpiração das plantas, agravando o estresse hídrico.
Esse cenário gera impactos na disponibilidade de água para consumo humano, atividades agropecuárias e industriais, além de afetar processos ecológicos essenciais.
A gerente destaca ainda que a preservação da vegetação nativa é estratégica para fortalecer a resiliência dos territórios diante das mudanças climáticas. A extensão e a localização dessas áreas influenciam diretamente a permeabilidade do solo, a proteção dos recursos hídricos e a conservação da biodiversidade.
Outro aspecto considerado pela metodologia da Semad é a densidade populacional dos municípios. Segundo Natália, esse critério ajuda a identificar cidades onde os impactos climáticos podem atingir um número maior de pessoas, permitindo direcionar melhor recursos e ações de adaptação, além de ampliar os efeitos positivos das políticas públicas em termos de justiça socioambiental.