O Centro de Excelência em Bioinsumos (Cebio), vinculado ao Instituto Federal Goiano (IF Goiano) e apoiado pelo Governo de Goiás, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), recebeu reconhecimento internacional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A iniciativa foi selecionada como “Experiência Excepcional” no programa Experiências que Transformam 2026 — Bioinsumos e plásticos na agricultura. O projeto foi reconhecido por aproximar a pesquisa científica dos produtores rurais e ampliar o acesso a tecnologias agrícolas sustentáveis.
Criado em dezembro de 2021, o Cebio já recebeu mais de R$ 20 milhões da Fapeg. Os recursos foram destinados à instalação de estruturas de pesquisa, unidades de produção de bioinsumos, formação de profissionais e desenvolvimento de tecnologias voltadas ao campo.
Bioinsumos são produtos desenvolvidos a partir de organismos vivos ou de seus derivados. Eles podem ser utilizados no controle de pragas, na melhoria das condições do solo e no desenvolvimento das plantas. Essas soluções têm potencial para reduzir a dependência de determinados produtos químicos e contribuir para uma agricultura mais sustentável.
O trabalho do Cebio busca transformar o conhecimento científico em alternativas acessíveis a diferentes perfis de produtores, desde agricultores familiares até responsáveis por grandes lavouras de grãos. Para isso, o centro mantém uma rede de unidades de pesquisa e transferência de tecnologia em diferentes regiões de Goiás, aproximando pesquisadores e produtores rurais.
As Unidades de Referência em Bioinsumos estão instaladas em Rio Verde, Urutaí e Morrinhos, onde são desenvolvidos estudos e novas tecnologias. Já as Unidades de Transferência de Tecnologia funcionam em Anápolis, Campos Belos, Catalão, Ceres, Cristalina, Goiânia, Hidrolândia, Iporá e Posse. Esses espaços facilitam o compartilhamento de conhecimentos e práticas agrícolas com os produtores.
Entre as pesquisas desenvolvidas pelo Cebio está o uso de bacteriófagos — vírus que atacam bactérias — no combate à mancha bacteriana, doença que afeta o tomateiro. Os experimentos identificaram potencial de controle da enfermidade com eficiência equivalente à de defensivos químicos utilizados como referência nos estudos.
Outra pesquisa investiga o uso do fungo Metarhizium anisopliae no combate ao percevejo-marrom, uma das pragas que prejudicam as lavouras de soja. Nos experimentos, os pesquisadores observaram a interrupção da alimentação do inseto poucos dias após a aplicação do fungo. O resultado indica o potencial da tecnologia como alternativa de controle biológico.
Os estudos buscam desenvolver soluções para problemas da agricultura, com possibilidade de reduzir os custos de produção e os impactos ambientais.
O Cebio também desenvolve iniciativas para ampliar o acesso à inovação entre agricultores familiares, comunidades quilombolas e povos tradicionais. Uma delas é o CebioEntrega, projeto que promove a distribuição gratuita de microrganismos de interesse agrícola a produtores familiares e cooperativas, conforme critérios de segurança e a legislação aplicável.
A proposta é facilitar o acesso a alternativas biológicas e incentivar a adoção dessas tecnologias na produção rural.
Além das pesquisas e da transferência de tecnologia, o centro investe na formação de profissionais. Atualmente, reúne mais de 400 pesquisadores e conta com 300 alunos matriculados na especialização gratuita em Bioinsumos, oferecida pelo IF Goiano.
A combinação de pesquisa, capacitação e atendimento aos produtores busca ampliar o uso de soluções biológicas em diferentes sistemas de produção agrícola.
O Cebio integra um conjunto de dez centros de excelência apoiados pelo Governo de Goiás, por meio da Fapeg, em sua estruturação inicial. As iniciativas reúnem pesquisadores, instituições de ensino, empresas e poder público para desenvolver soluções em áreas estratégicas para o estado.
O modelo busca ampliar a capacidade de pesquisa, estimular parcerias e atrair novas fontes de financiamento. No caso do Cebio, os investimentos já contribuíram para a formação de profissionais, a instalação de unidades de pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias voltadas às necessidades da produção rural.
Fonte: Agência Goiás