Doom ganha versão inusitada e roda em mainframe IBM Z pelo navegador, sem instalação

O clássico jogo de tiro em primeira pessoa Doom ganhou uma versão inusitada: passou a rodar em um mainframe IBM Z e pode ser acessado diretamente pelo navegador, por meio de um terminal de texto ASCII. A demonstração foi criada pela WND Software com base no projeto DOOM-ASCII, de Wojciech Graj.

O acesso ocorre por um terminal emulado, que estabelece uma conexão via SSH com o IBM Z. Em vez dos gráficos 3D tradicionais, o jogo converte cenários, inimigos e objetos em caracteres coloridos, formando uma espécie de mosaico de letras e símbolos sobre uma tela preta. A demonstração não conta com som e mantém apenas a ação visual representada em texto.

Segundo o autor, o resultado é “completamente jogável”, embora o usuário precise se adaptar à representação gráfica, especialmente para identificar objetos distantes. Demônios e itens aparecem como pontuações e sinais coloridos, o que exige maior atenção para interpretar o cenário.

Cada sessão de jogo é limitada a cinco minutos, e o sistema suporta até 50 usuários conectados simultaneamente. A experiência não exige login, criação de conta ou instalação de arquivos, funcionando como uma demonstração das capacidades do mainframe e do software de terminal da WND Software.

A execução de Doom em plataformas incomuns tornou-se uma prática recorrente entre desenvolvedores. O jogo já foi adaptado para bancos de dados, placas de circuito e microcontroladores, como o Raspberry Pi Pico. Na própria linha IBM Z, versões anteriores já haviam sido exibidas por meio de interfaces gráficas remotas, como o VNC.

O diferencial desta demonstração está no uso exclusivo de um terminal de texto, interface tradicionalmente associada a operações bancárias, processamento de lotes e tarefas administrativas. Ao substituir pixels por caracteres, a WND Software e Wojciech Graj combinam experimentação técnica e nostalgia, aproximando o ambiente de mainframe da cultura gamer e da computação retrô.

A iniciativa também evidencia que sistemas IBM Z podem executar aplicações experimentais e lúdicas, além de cargas críticas de negócios. Para a WND Software, o jogo funciona como uma vitrine do emulador de terminal e da integração com o mainframe.

Em áreas de tecnologia e educação, a demonstração pode ser usada para apresentar conceitos de computação de alto desempenho, programação em ambientes de grande porte e história dos jogos digitais, sem exigir que o público instale ferramentas complexas. O limite de cinco minutos por sessão e a capacidade máxima de 50 usuários ajudam a manter a demonstração sob controle, enquanto possíveis versões futuras poderão ampliar o tempo de jogo, a quantidade de acessos simultâneos e os recursos visuais ou interativos.

Projetos desse tipo contribuem para afastar a imagem de que mainframes são destinados apenas a sistemas bancários e operações de bastidores. Ao colocar Doom em um IBM Z, ainda que por meio de caracteres coloridos, a experiência aproxima uma tecnologia tradicional do público interessado em jogos e computação experimental.

Fonte: Miraí Broadcast