Política

Câncer de Cabeça e Pescoço

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O Dia Mundial da Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço é celebrado em 27 de julho. O intuito é chamar a atenção da população para uma maior conscientização dos cuidados necessários para evitar a manifestação ou evolução de tumores em órgãos localizados na região acima do pescoço.

São considerados câncer de cabeça e pescoço aqueles que atingem a boca, as cavidades nasais, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe e os seios da face (ou paranasais). As formas de prevenção são pertinentes, principalmente, ao autocuidado relacionado à higiene. Entretanto, existem outros fatores desencadeantes.

De acordo com o médico oncologista Francisco Borges Filho, que atua na área, dentro do Sistema Hapvida e, também, no Hemolabor, o câncer de cabeça e pescoço atinge, em sua maioria, pessoas com histórico de alcoolismo e tabagismo. “Cerca de 90% dos casos de tumores de cabeça e pescoço acontecem em pessoas que fumam e bebem, simultaneamente”, enfatiza.

Para o especialista, uma das principais formas de prevenção, além da boa higiene oral, consiste em evitar o consumo das substâncias, especialmente em grandes quantidades. “Os produtos do tabaco e do álcool atacam muito aquela mucosa e fazem com que esse tipo de tumor se desenvolva. O principal mecanismo de prevenção é parar de fumar e parar de beber”, frisa o oncologista.

Outros casos relacionados ao câncer de cabeça e pescoço podem estar ligados ao Vírus do Papiloma Humano (HPV). “O tumor de cabeça e pescoço, assim como os tumores ginecológicos, do colo do útero e os tumores do pênis, têm uma relação com o HPV. Então, pessoas que possuem infecção por HPV, têm maior chance de desenvolver esse tumor”, esclarece Dr. Francisco, com a ressalva de que a vacinação contra o vírus também é vista como uma forma de prevenção.

Ações Legislativas

Tramita na Assembleia Legislativa de Goiás a matéria de nº 6060/21, de autoria do deputado Gustavo Sebba (PSDB), que propõe instituir julho como o Mês Estadual de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. De acordo com a proposição, a escolha se dá pelo fato de ser o mês em que ocorre a campanha Julho Verde, voltada à patologia, em diversas unidades federativas do Brasil.

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“Somados os diversos tipos de câncer que afetam a cabeça e pescoço, tem-se a segunda causa mais fatal, entre as doenças, para os brasileiros, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Nada obstante, esses tumores são ainda mais danosos aos seus portadores, em decorrência de estarem presentes em regiões do corpo que são, em regra, mais evidentes”, justifica o texto.

Na proposta, o autor destaca, ainda, que o investimento informativo, relacionado às campanhas de prevenção à doença, sai mais em conta quando comparado ao alto custo do tratamento. “O tratamento, pelo seu custo, acaba se tornando inviável à população de baixa renda. Por todas essas razões, fica claro que campanhas informativas são uma das formas mais baratas de prevenção. Ao Estado, é muito menos dispensioso investir em informação e conscientização dos sintomas, riscos da doença e suas formas de tratamento do que aguardar uma subida ainda maior no percentual de casos que atingem a comunidade”, defende Gustavo Sebba, na justificativa da propositura.

Gustavo Sebba, que é presidente da Comissão de Saúde da Alego, promoveu, no último dia 15, uma audiência pública em apoio à Quinta Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço. O evento atendeu à solicitação da Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço (ACBG Brasil) e aconteceu no auditório Solon Amaral. De forma híbrida, com participações online de autoridades e especialistas da área, a reunião discutiu a importância da união de forças para prevenir o câncer de cabeça e pescoço.

“O Poder Legislativo não executa políticas públicas de saúde, mas pode direcioná-las”, pondera o parlamentar. “A intenção é chamar a atenção do público para o assunto e, principalmente, estimular a cooperação entre o poder público e a sociedade civil organizada para a promoção de ações preventivas. Graças à audiência pública, a Alego constituiu vínculos e eu, particularmente, estou em contato constante com a Sociedade Brasileira de Cirurgia e Pescoço e com a Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço para estudar projetos de lei que possam melhorar a situação de Goiás nessa luta, tanto pelo ponto de vista dos profissionais da saúde quanto pelo ângulo dos pacientes”, destaca o parlamentar.

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Diagnóstico e tratamento precoce

Gustavo Sebba frisa, ainda, a importância do diagnóstico precoce de tumores, que pode prevenir complicações relacionadas. “O diagnóstico precoce dos diversos tipos de câncer de cabeça e pescoço, assim como o de qualquer condição clínica, garante um tratamento mais eficaz e reduz, imensamente, os riscos de agravamento. Porém, esse diagnóstico é ainda mais importante nos casos de câncer de cabeça e pescoço, haja vista que ele pode impedir que a pessoa precise passar por cirurgias que podem impactar a fala, olfato e visão, impactando na qualidade de vida do paciente de maneira quase sempre irreversível”, alerta.

De acordo com o médico Francisco Borges Filho, o diagnóstico precoce pode, também, evitar um tratamento intenso e doloroso. “Todo tumor que for identificado de forma precoce há maior chance de cura e costuma ser menos agressivo”, afirma. Segundo ele, o principal tratamento, quando possível, é a cirurgia. No entanto, quando há agravamento, a intervenção pode não ser realizada de forma cirúrgica e é onde entram os procedimentos de radioterapia e quimioterapia. “Um dos tratamentos principais é a radioterapia. Ela costuma machucar muito aquela mucosa e o paciente não consegue se alimentar. Com isso, tende a perder peso e ficar debilitado”, frisa.

Por esse motivo, a importância do alerta para sintomas específicos, além das consultas médicas periódicas, deve ser reforçada. “Apareceu um caroço no pescoço, ou uma lesão na boca, vai comer e nota o gosto de sangue, vê que tem uma lesão. Observar, principalmente, o surgimento de nódulos na região do pescoço ou da boca. E, o quanto antes, procurar ajuda médica, porque quanto mais cedo identificado, maior a chance de cura”, pontua o especialista, com a ressalva de que a orientação de alerta não está voltada só para o câncer de cabeça e pescoço, mas para todos os tumores em geral.

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