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Nando Reis fala sobre os rumos da músicas brasileira em entrevista com Hebert Neri

Nando Reis revelou um pouco de como é o seu processo de preparação para turnês e gravações e comentou sobre o preconceito que novos artistas que representam estilos musicais não tradicionais sofrem

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Fotos de: Reprodução / Hebert Neri

 

O jornalista, correspondente internacional e produtor musical Hebert Neri, integrante da banda de pop rock portuguesa , D’Alma, conversou com o cantor e compositor Nando Reis após a sua turnê europeia. Os músicos abordaram a questão dos novos rumos da música brasileira e sua influência fora do país, com o expoente de novos nomes no cenário do entretenimento

José Fernando Gomes dos Reis, conhecido artisticamente como Nando Reis, é um renomado cantor, compositor e instrumentista. Ex integrante da banda de rock Titãs, hoje segue em carreira solo, com turnês bem sucedidas não apenas no Brasil mas América Latina, América do Norte e Europa.

Qual a importância pra você, como um artista consagrado da música brasileira, participar de um festival como esse, que é o maior festival de MPB (Música Popular Brasileira) do país?

Uma importância enorme. Eu nasci em 1963, cercado por uma geração onde o rádio terá desempenhado um papel importantíssimo para mim como indivíduo, na minha formação como ouvinte e como músico profissional, na divulgação do meu trabalho. Eu tenho uma relação de absoluto respeito e parceria com o rádio, pois através dele nos comunicamos com milhões de pessoas. Este aspecto de misturar públicos distintos em um festival como esse é incrível. Talvez uma boa parcela dos que estão aqui hoje, nunca tenham assistido uma apresentação minha ao vivo. Então, tudo isso é ótimo, em todos os aspectos.

O público de fora do Brasil tem voltado bastante atenção para a música brasileira, em especial à MPB. A cantora Carminho, recentemente lançou um álbum com regravações com grandes nomes da música brasileira como Chico Buarque e Maria Bethânia. Como tem sido sua experiência com os fãs europeus e o que representa para você estar em Portugal com seus shows?

Sobre isso posso dizer que eu estou muito feliz. Eu vou ser bastante sincero: eu acho esse laço da língua e da relação histórica que Portugal tem com o Brasil importantíssimo, é um vínculo de extensão cultural. Ele é extensivo a muitas áreas, e a música é uma delas. Há muitos anos, desde os Titãs, procuro essa ponte com Portugal, e confesso que gostaria de ser bem sucedido nisso, pois tenho enorme interesse nisso.

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Sempre um gosto retornar a Portugal. A primeira vez que estive no país foi em 1978 com os Titãs, e fizemos a abertura de alguns shows da banda Xutos & Pontapés, e eles abriram alguns shows nossos no Brasil, como uma troca, uma parceria, mas isso não foi para frente depois, essa ponte não se desenvolveu. Também lancei meu segundo disco solo, MTV ao Vivo, e fui à Portugal tentar fazer um trabalho, mas não teve continuidade. Assim, continuo nutrindo expectativas.

Recentemente eu soube que uma música minha estava numa novela em Portugal e isso me alegrou muito. Espero conseguir traçar essa ponte com Portugal, que permita-me vincular a minha profissão com o fato de viajar e conhecer melhor culturas e públicos diferentes.

A Música Popular Brasileira está a se reinventar. Hoje nomes diferentes surgem no cenário musical brasileiro, assim como a forma de distribuição e consumo de música em todo o mundo também terá mudado, com o surgimento das plataformas digitais. O estilo musical, inclusive, dos novos nomes da MPB destoam do que, tradicionalmente, se conhece em Portugal como MPB. Qual a sua visão sobre isso? Esta é uma tendência para o futuro da MPB ou seria preciso trilhar um caminho de retorno à MPB ?clássica??

Não sei se existe ou se há necessidade de um caminho de retorno para a MPB. Eu acho que é uma nostalgia de um momento que não existe mais, e todas essas novidades são desdobramentos e um desenvolvimento, que faz parte da linha evolutiva. A questão avaliação qualitativa disso é subjetiva e relativa e eu não entro nesse mérito. Acho que é algo mais carregado de preconceito do que exatamente uma avaliação isenta, sobre do que  trata-se um fenómeno musical e uma expressão artística. 

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Sobre a tradicional música brasileira, essa questão do que seria realmente representativo da MPB, posso te falar a verdade de que eu sofri isso na pele. O fato da minha música ter a sonoridade próxima do Rock and Roll e do Pop Rock, de acharem que o que eu faço não é representativo. Isso pra mim é uma tolice, da parte de alguns que assim veem, e de que a música brasileira que se consome no estrangeiro é como se fosse uma coisa folclórica. Eu não faço parte de um zoológico, e nem vou vestido para os meus shows com penas e roupa de índio. Isso será uma idéia ilógica e preconceituosa. Essa ideia de ?purismo?, trata-se de puro preconceito.

Como é o seu processo de preparação artística e emocional para os seus concertos e para a gravação dos seus álbuns?

Eu costumo aproveitar esse processo de dar entrevistas para aquecer minha voz. Estou brincando (risos). Eu faço todos os exercícios vocais que tenho como rotina para minha preparação, mas não fica restrito somente aos momentos antes de gravar ou de subir ao palco. É algo constante. 

Quanto ao emocional, eu não acho que exista preparação, porque é sempre um desafio subir ao palco. Eu sempre fico nervoso, depende de um fator de concentração, e às vezes até erro no ao vivo por questão das emoções do momento. E eu acredito que essa seja a essência de tudo isso. Eu não estou levando um disco para ser reproduzido no palco, logo é o que está a acontecer ali, a emoção do momento. As oscilações e as diferenças, que aparentemente levam à imprecisões, são uma marca única e distinta, que é o que interessa para quem está ali a assistir o concerto, pois caso contrário, ficariam em casa assistindo um DVD, um Blu-Ray, uma gravação. 

 

Fabio Carlos

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