Fica 2026 abre mostra gratuita no Palácio Conde dos Arcos com 10 artistas goianos e obras imersivas

A Sala Expositiva do Museu Palácio Conde dos Arcos, na cidade de Goiás, recebe durante a 27ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) uma mostra de artes visuais com trabalhos de 10 artistas e coletivos goianos. A visitação é gratuita durante todo o festival, das 9h às 19h, ao longo da programação.

Os projetos foram selecionados entre 107 inscrições, número que evidencia o interesse de artistas e coletivos pelo evento e reforça o papel do Fica como vitrine para as artes visuais produzidas em Goiás. As propostas se distribuíram em três categorias.

Entre os destaques está a instalação multimídia Desaguar, do artista visual e sonoro Leandro Araújo, em parceria com a professora e artista de dança Renata Bastos, que combina fotografias, vídeo e áudio. Parte do trabalho surgiu a partir do encontro com o Rio das Almas, em Cavalcante, de onde vêm imagens, sons e movimentos que formam uma experiência sensível sobre escuta, cuidado e pertencimento. Para Leandro Araújo, a água atravessa a obra como símbolo de mudança e renovação: “A água está aí como símbolo de transformação, de condução desses processos de mudança e renovação, e também da força feminina”. Ele acrescenta: “É um corpo que pertence ao corpo da terra, à mãe terra, a essa senhora que é o Cerrado. Ao mesmo tempo, é um gesto de defesa e de valorização das águas desse bioma”.

Outra atração é o vídeo Alfabeto dos Andorinhões, do artista visual Benedito Ferreira, com colaboração de Fernão Carvalho. Com cerca de dois minutos, o trabalho foi filmado nas Cataratas do Iguaçu, na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Sobre as imagens da paisagem, o alfabeto guarani, em letras minúsculas, atravessa as cenas e interfere na leitura do fluxo da água e do voo dos andorinhões-da-cascata, aves que vivem e nidificam nas fendas e rochas úmidas atrás das quedas-d’água. Protegidas pela cortina de água contra predadores, essas aves podem ser vistas com frequência ao amanhecer e ao entardecer, sugerindo formas de existência que persistem para além das fronteiras oficiais. “À medida que as imagens aparecem, o alfabeto guarani vai surgindo sobre elas, propondo uma relação entre território, linguagem e natureza”.

A mostra de artes visuais integra a ampla programação do Fica 2026, que segue até 21 de junho na cidade de Goiás, com mostras competitivas de cinema, shows, debates e atividades formativas gratuitas. O Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental é um dos maiores festivais de cinema ambiental do mundo, realizado anualmente desde 1999, e se consolida como espaço plural de convergência entre arte, ciência, ativismo e educação ambiental, atraindo realizadores e públicos de diferentes países.

O festival é promovido pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), em correalização com a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio da Fundação RTVE, e conta com colaboração estratégica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Saneago. A iniciativa conta também com a cooperação de outras instituições, e a realização do festival envolve ainda parceiros adicionais.

Fonte: Agência de Notícias do Governo de Goiás