A OpenAI Group PBC levantou US$ 11 bilhões em uma nova rodada de financiamento concluída nesta sexta-feira (6), nos Estados Unidos. A operação elevou o valuation da empresa de inteligência artificial para US$ 1,25 trilhão e foi anunciada junto ao lançamento do GPT-6 Cyber, modelo voltado à segurança cibernética. A companhia também acelera os planos para abrir o capital em 2027. Os US$ 11 bilhões já foram transferidos por investidores cujos nomes ainda não foram divulgados oficialmente. A rodada poderá ser ampliada em até US$ 9 bilhões nas próximas semanas, elevando o total captado para US$ 20 bilhões. Entre os possíveis participantes estão Microsoft, Nvidia e Amazon, empresas que já investiram em rodadas anteriores. A captação consolida a OpenAI entre as empresas mais valiosas do setor de tecnologia e aumenta a pressão sobre concorrentes como a Anthropic PBC. A rival prepara uma oferta pública inicial com meta de avaliação de aproximadamente US$ 1,5 trilhão, embora parte de seus investidores considere mais provável um valuation próximo de US$ 1 trilhão. No último trimestre, a OpenAI alcançou US$ 50 bilhões em receita anualizada líquida, alta de 77% em relação ao ano anterior. O resultado foi impulsionado principalmente pela área empresarial, cujas vendas mais que dobraram. A Anthropic, por sua vez, registrou crescimento de 1.127% na receita trimestral na comparação anual, indicando a intensificação da disputa pela liderança em inteligência artificial generativa. O novo aporte ocorre meses depois de uma rodada anterior de US$ 122 bilhões, que havia consolidado a OpenAI como uma das principais empresas da corrida global pela inteligência artificial. A companhia precisa de grandes volumes de capital para cumprir compromissos superiores a US$ 665 bilhões em chips e data centers, infraestrutura considerada necessária para treinar e operar modelos cada vez mais avançados. Como parte dos esforços para reduzir os custos de hardware, a OpenAI desenvolveu, em parceria com a Broadcom, um acelerador de inferência customizado. O chip é otimizado para executar modelos de inteligência artificial em larga escala, com maior eficiência energética e de custos em comparação com placas gráficas tradicionais. A injeção de capital funciona como uma ponte financeira até o IPO planejado para 2027 e pode reduzir o risco de gargalos de infraestrutura em um momento de crescimento da demanda por serviços baseados em IA e de limitação na produção global de chips de ponta. Paralelamente ao anúncio financeiro, a OpenAI lançou o GPT-6 Cyber, modelo especializado em segurança cibernética que, segundo a empresa, supera o GPT-6 Astra, seu modelo geral mais avançado, em tarefas de defesa digital. Engenheiros da companhia utilizaram o GPT-6 Cyber para desenvolver 948 exploits destinados a sistemas Linux e identificar 81 vulnerabilidades zero-day de alta gravidade no navegador Firefox. O termo zero-day se refere a uma falha ainda desconhecida pelo fabricante e sem correção disponível, característica que torna esse tipo de vulnerabilidade relevante tanto para equipes de segurança quanto para possíveis atacantes. O modelo foi projetado para automatizar atividades como testes de invasão, análise de código e criação de ferramentas de monitoramento e resposta a incidentes. A tecnologia pode acelerar a identificação e a correção de falhas, mas também levanta preocupações sobre o uso indevido por agentes mal-intencionados. O presidente da OpenAI, Greg Brockman, afirmou nesta semana que a empresa passou por um período de crescimento mais lento no primeiro semestre. Segundo ele, o ritmo mudou a partir de junho, após o lançamento do GPT-5.6 Sol, antecessor direto do GPT-6 Astra. “A companhia experimentou uma desaceleração na primeira metade do ano. O crescimento começou a acelerar depois do lançamento do GPT-5.6 Sol em junho”, disse Brockman. Ele acrescentou que o aplicativo corporativo ChatGPT Work e as ferramentas de codificação também tiveram papel importante na retomada. Esses produtos integram a estratégia da OpenAI de diversificar suas fontes de receita e ampliar o uso de seus modelos por empresas de setores como desenvolvimento de software, serviços financeiros e indústria. O novo valuation de US$ 1,25 trilhão e a possibilidade de captação adicional de US$ 9 bilhões reforçam a concentração de recursos em um grupo restrito de empresas no topo do mercado de IA. Para grandes investidores institucionais, o movimento fortalece uma líder estabelecida e pode ampliar os retornos com o amadurecimento do setor. Para startups e concorrentes menores, entretanto, a escala financeira e tecnológica da OpenAI e da Anthropic eleva as barreiras de entrada e dificulta o surgimento de empresas capazes de treinar modelos comparáveis em poder e abrangência. O avanço do GPT-6 Cyber também deve ampliar os debates regulatórios sobre ética, privacidade e controle tecnológico. Governos e órgãos reguladores terão de avaliar como lidar com sistemas capazes de encontrar, explorar e corrigir vulnerabilidades em alta velocidade, o que pode resultar na revisão de normas de segurança digital e na exigência de salvaguardas específicas para ferramentas de inteligência artificial ofensiva e defensiva. Enquanto a OpenAI define os próximos passos para o IPO de 2027, a Anthropic se prepara para iniciar, já na próxima semana, sua própria jornada de abertura de capital, planejada para ser concluída antes do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. O movimento representa mais um capítulo da disputa bilionária pela liderança no setor de inteligência artificial.
Fonte: Mirai Broadcast