menu
Um ano de reordenamento em Goiânia: entidades relatam calçadas livres, queda de 75% nos furtos e alta no faturamento na Região da 44 e no Centro
Um ano de reordenamento em Goiânia: entidades relatam calçadas livres, queda de 75% nos furtos e alta no faturamento na Região da 44 e no Centro

Lojistas, feirantes, consumidores e representantes de associações afirmam que o reordenamento no Centro de Goiânia, na Região da 44 e na Avenida 24 de Outubro, promovido pela Prefeitura, transformou o comércio local. Iniciado em março de 2025, o processo ofereceu aos ambulantes interessados a migração para as feiras da Madrugada e Hippie, com subsídio nas taxas de condomínio por períodos de três meses a um ano. Segundo esses relatos, as calçadas foram desobstruídas, a circulação de mercadorias aumentou e a segurança melhorou.

Para o presidente da Fecomércio-GO, Marcelo Baiocchi, o Centro, bairro histórico e de comércio tradicional, vinha sendo negligenciado. Ele afirma que a atual administração “liberou as calçadas” e ajudou a “devolver o Centro” a moradores e comerciantes. Baiocchi classifica as medidas como necessárias, ainda que nem sempre consensuais, e diz que associados da federação que atuam na região relatam satisfação com os resultados.

Na Região da 44, o presidente do shopping de atacado Mega Moda, Carlos Luciano Ribeiro, afirma que mais de 15 mil famílias de lojistas foram beneficiadas. Segundo ele, ambulantes que ocupavam calçadas passaram a atuar em feiras e galerias, o que, aliado ao aumento da segurança, atraiu mais compradores. Ribeiro acrescenta que as ações contribuem para o objetivo do setor de consolidar Goiânia como capital da moda.

De acordo com Max, diretor do shopping PitBull, caravanas internacionais voltaram a visitar a Região da 44. Ele destaca a importância da experiência do cliente, que hoje encontra um polo mais seguro e organizado, com melhor mobilidade. Max observa ainda que o avanço das compras online mudou hábitos, levando clientes a visitar presencialmente os fornecedores para conhecer coleções, o que exige um ambiente mais tranquilo.

O presidente da Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), Sérgio Naves, afirma que o reordenamento veio acompanhado de investimentos em segurança. Segundo ele, ações de inteligência, e não de truculência, reduziram em 75% as ocorrências de furto. Naves cita um plano de R$ 22 milhões em ruas inteligentes, com 172 câmeras integradas ao sistema da polícia, medida que, afirma, tem impacto direto nas vendas.

Ainda segundo Naves, no último Dia das Mães, o faturamento aumentou em R$ 13 milhões. Ele projeta um crescimento ainda maior, mencionando a chegada semanal de três caravanas vindas da Bolívia. A AER44 classifica o polo como o segundo maior do país na produção de moda e estima que poderá liderar nacionalmente em até 10 anos.

No Centro, líderes do comércio afirmam que a negligência histórica foi revertida. Para o presidente do Sindióptica-GO, Leandro Fleury, a gestão atual tem valorizado comerciantes, moradores e a dimensão cultural do bairro. Ele diz que houve melhora em segmentos como óticas, joias, bijuterias, relógios e cinefoto, e que o conjunto do Centro foi beneficiado.

Morador do Centro desde a década de 1970 e presidente do 3º Conseg de Goiânia, Clauber Antônio relata que a realocação de camelôs na Avenida Anhanguera desobstruiu calçadas, trazendo fluxo mais tranquilo e seguro para pedestres e consumidores. Segundo ele, os ambulantes foram direcionados a locais apropriados para manter seus negócios.

O presidente da Associação Comercial e Industrial do Centro de Goiânia e Adjacências (ACIC), Antônio Alves Ferreira Filho, afirma que o trânsito na Avenida Anhanguera está desimpedido e que comerciantes agradecem pela realocação dos ambulantes. Ele aponta a reabertura de lojas aos domingos, o barateamento dos aluguéis e um movimento de retorno de empreendedores, fatores que sustentam um clima de otimismo.

Na Feira da Madrugada, a lojista Patrícia Mendes, há 12 anos no local, diz que feirantes regularizados enfrentaram dificuldades no passado, mas que a reorganização da Região da 44 facilitou o acesso dos clientes e melhorou as vendas em 100%. Para ela, o reordenamento não desamparou os ambulantes: muitos tinham pontos formais, porém, sem fiscalização anterior, optavam pela rua, onde não havia regras ou despesas, gerando concorrência desleal. Patrícia afirma que, com a fiscalização, os ambulantes retornaram aos seus locais de trabalho.

O secretário municipal de Eficiência, Fernando Peternella, reforça que todos os ambulantes realocados tiveram oportunidade de se instalar nas feiras, com subsídio nas taxas de condomínio por três meses a um ano, oferecido pelas associações. O guarda civil metropolitano Marcos Couto diz que a atuação priorizou organizar o fluxo em vias e calçadas. Ele recomenda que trabalhadores informais busquem a regularização junto à Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic), que, segundo o agente, ofereceu condições para adaptação às normas.

Quanto à segurança, Marcos Couto relata diminuição sensível de ocorrências e denúncias de tráfico, roubo e furto. O major Camilo, da Polícia Militar, afirma que a adequação dos ambulantes às normas facilitou a atuação policial e que operações integradas vêm sendo realizadas para combater crimes na região.

Foto: Gabriel Antonelly

Fonte: Prefeitura de Goiânia

Facebook