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Cúpula em Pequim reúne 112 países para definir padrões globais de inteligência artificial no jornalismo
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Cúpula em Pequim reúne 112 países para definir padrões globais de inteligência artificial no jornalismo

Cúpula em Pequim reúne 112 países para definir padrões globais de inteligência artificial no jornalismo

A 7ª Cúpula Mundial de Mídia começou neste sábado (7), em Pequim, com a adoção do Consenso de Pequim e o lançamento de uma iniciativa global destinada a criar padrões para o uso da inteligência artificial na imprensa. O encontro reúne quase 500 representantes de 112 países e regiões.

Coorganizada pela Agência de Notícias Xinhua e pelo governo municipal de Pequim, a cúpula tem como tema “Mídia na Era Inteligente: Do Consenso à Ação” e segue até segunda-feira (9). Participam cerca de 330 veículos de imprensa, além de think tanks, órgãos governamentais, delegações da Organização das Nações Unidas e outras entidades internacionais.

Na cerimônia de abertura, Li Shulei, membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista Chinês e chefe do Departamento de Publicidade do Comitê Central do Partido Comunista da China, destacou a necessidade de uma resposta rápida do setor diante das novas tecnologias. Ele ressaltou a “urgência de adaptação do setor midiático frente às profundas inovações tecnológicas em curso” e defendeu o uso de ferramentas inteligentes pelas redações para oferecer informação confiável.

O debate aborda como aplicar a inteligência artificial em redações, agências de notícias e plataformas digitais sem comprometer a verificação de fatos, a proteção de dados e a ética profissional. A discussão ocorre em um cenário de expansão do conteúdo automatizado, da manipulação de imagens e da desinformação.

Principal resultado político do primeiro dia, o Consenso de Pequim foi formalmente adotado pelos participantes. O documento estabelece diretrizes para a transformação e o desenvolvimento sustentável da indústria global de comunicação na era da inteligência artificial.

O texto defende o uso inclusivo e responsável das novas tecnologias, com atenção a organizações de mídia em diferentes estágios de desenvolvimento econômico e tecnológico. A proposta é que grandes agências internacionais e veículos de menor porte tenham parâmetros comuns para adotar ferramentas inteligentes sem comprometer os padrões editoriais.

O consenso também destaca a necessidade de cooperação internacional entre redações, reguladores e fornecedores de tecnologia, criando espaço para que o próprio setor de mídia participe da formulação de futuras normas sobre inteligência artificial.

Como complemento ao consenso, foi lançada a Iniciativa de Mídia Global para o Desenvolvimento Conjunto de Padrões de Aplicação de Inteligência Artificial, liderada pela Xinhua. O grupo reúne 22 entidades internacionais, entre elas as agências TASS, da Rússia, e Bernama, da Malásia; o grupo sul-africano Independent Media; o Diário do Povo; e o Grupo de Mídia da China.

A iniciativa pretende estabelecer normas práticas para o uso de inteligência artificial em diferentes rotinas jornalísticas, preservando a autenticidade das informações, protegendo dados sensíveis e reforçando a ética profissional. A expectativa é contribuir para a manutenção da confiança do público em conteúdos produzidos com o apoio de tecnologias inteligentes.

Os participantes se comprometeram a trabalhar em conjunto por aproximadamente dois anos na formulação e na validação desses padrões, que deverão ser testados e ajustados pelas próprias empresas de comunicação. O plano também prevê a criação de um banco de dados global para registrar e monitorar aplicações de inteligência artificial no setor, ampliando a transparência sobre o uso dessas ferramentas em processos como apuração, edição, distribuição e personalização de conteúdo.

Ao reunir quase 500 representantes de 112 países e regiões, a cúpula indica que a regulação ética da inteligência artificial na mídia deixou de ser um debate restrito às grandes potências tecnológicas. O encontro envolve diretamente veículos de comunicação, órgãos reguladores, entidades profissionais e empresas de tecnologia ligadas ao setor.

Os organizadores avaliam que padrões construídos de forma colaborativa pela própria indústria podem ter mais chances de adoção prática e servir de referência para legislações nacionais. A médio prazo, o movimento poderá influenciar códigos de conduta jornalísticos, leis de proteção de dados e regras sobre transparência no uso de algoritmos em notícias.

Enquanto avançam as discussões técnicas, os participantes estrangeiros também conhecem a capital chinesa, em visitas ao Templo Ancestral Imperial e em apresentações da tradicional Ópera de Pequim. A programação busca combinar diplomacia cultural e articulação política em torno da governança da inteligência artificial na mídia.

Fonte: Mirai Broadcast

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