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Três comissões dos EUA pedem reunião com chefe da Nvidia após documento citar suspeitas ligadas à China
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Três comissões dos EUA pedem reunião com chefe da Nvidia após documento citar suspeitas ligadas à China

Três comissões dos EUA pedem reunião com chefe da Nvidia após documento citar suspeitas ligadas à China

Autoridades dos Estados Unidos investigam conexões suspeitas envolvendo Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, e Alice Huang, executiva investigada por suposta ligação com o serviço de inteligência chinês. Um documento de inteligência americano relaciona os dois e levou três comissões da Câmara dos Representantes a solicitar uma reunião fechada com o bilionário, em Washington, para discutir possíveis riscos de acesso de Pequim a tecnologias sensíveis.

Os presidentes do Comitê Especial sobre a China, John Moolenaar; do Comitê de Relações Exteriores, Brian Mast; e do Comitê de Inteligência, Rick Crawford, enviaram uma carta conjunta a Jensen Huang. Eles pediram que o executivo participe de um encontro reservado em 18 de novembro. Huang deverá responder até 11 de novembro se aceita a data ou se propõe uma alternativa.

Segundo os parlamentares, as interações entre Huang e Alice Huang, ligada à empresa de computação Megaspeed, levantam dúvidas sobre um eventual acesso da China a chips avançados e informações estratégicas da Nvidia, uma das principais empresas da corrida global pela inteligência artificial. A reunião será realizada a portas fechadas, em Washington.

O documento de inteligência foi produzido com base em informações de agências americanas e circulou entre autoridades de Washington antes de um encontro entre o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping. O texto descreve uma relação próxima entre Jensen Huang e Alice Huang e avalia que a executiva teria sido recrutada pelo Ministério da Segurança do Estado da China, órgão responsável pela inteligência civil do país.

Alice Huang trabalhou na Megaspeed, empresa sediada em Singapura que compra processadores da Nvidia e oferece, por meio da nuvem, capacidade computacional para desenvolvedores de inteligência artificial. O modelo de negócios despertou preocupação em Washington porque poderia permitir que empresas chinesas utilizassem remotamente chips de última geração cuja importação direta é proibida pelas restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos.

Autoridades americanas investigam se a Megaspeed desviou processadores avançados da Nvidia para a China ou se permitiu que clientes chineses acessassem remotamente esses equipamentos, contornando os controles de exportação. A empresa nega ter violado as regras comerciais.

A carta das três comissões não acusa Jensen Huang de colaborar com o governo chinês. O documento, porém, indica preocupação com a possibilidade de que alguém próximo ao executivo tenha tentado obter informações sensíveis sobre os planos da Nvidia e as negociações da empresa com Washington a respeito da venda de chips para a China.

Os parlamentares querem esclarecer a natureza dos contatos entre Huang e Alice Huang, o que a Nvidia sabia sobre o histórico da executiva e quais protocolos a companhia adota para impedir operações de inteligência estrangeira em seu entorno. Também pedem detalhes sobre os mecanismos internos de proteção da tecnologia e dos principais executivos da empresa.

Os chips avançados da Nvidia, utilizados no treinamento de sistemas de inteligência artificial, estão no centro da estratégia americana de conter o avanço tecnológico chinês em áreas consideradas críticas para a segurança nacional. A preocupação é que uma brecha comercial ou pessoal permita a Pequim obter acesso a capacidades de computação atualmente limitadas por sanções.

A Nvidia não confirmou o relacionamento pessoal mencionado no documento de inteligência nem comentou a existência do memorando. A empresa reiterou declarações anteriores de Jensen Huang, que nega qualquer vínculo com Alice Huang fora do âmbito profissional. Segundo o executivo, a relação entre os dois seria um contato comercial comum entre a fabricante e uma cliente.

Huang também afirma que a Nvidia cumpre as regras de exportação e audita o destino de seus produtos. Ele declarou que os negócios com a Megaspeed são normais e que a fabricante verificou o destino dos equipamentos.

A Megaspeed rejeita as acusações de que tenha desviado chips restritos ou permitido seu uso irregular na China. O governo de Singapura afirma não haver investigações locais contra Alice Huang por suposta ligação com a inteligência chinesa. Pequim classificou as denúncias de espionagem e reportagens recentes sobre o caso como ataques infundados.

A Casa Branca e a CIA não comentaram publicamente o memorando. O envio da carta por três comissões estratégicas da Câmara, no entanto, indica que o caso pode ganhar espaço no debate político americano sobre segurança nacional e política industrial.

O episódio ocorre enquanto Jensen Huang atua em Washington contra o endurecimento das sanções à China. O executivo argumenta que restrições excessivas à venda de chips de última geração podem fortalecer fabricantes chineses rivais, ao estimular Pequim a investir em alternativas domésticas.

Huang já participou de reuniões privadas com Donald Trump, o acompanhou em uma viagem à China e esteve presente em eventos com Xi Jinping. Essa proximidade com a diplomacia econômica americana aumenta o peso político das suspeitas relacionadas a Alice Huang e à Megaspeed.

O caso pode acelerar mudanças nas regras de exportação de tecnologias críticas, ampliar o escrutínio sobre clientes estrangeiros de empresas como a Nvidia e aumentar as exigências de segurança para executivos que atuam em setores estratégicos. Empresas suspeitas de facilitar o acesso não autorizado de países sob sanções a chips restritos podem enfrentar sanções comerciais, restrições ao acesso a fornecedores americanos e perda de credibilidade no mercado global.

Investidores também acompanham o caso, atentos a possíveis impactos sobre a presença da Nvidia nos mercados asiáticos e a novas iniciativas do Congresso americano para limitar o fluxo de tecnologia de inteligência artificial para a China.

Fonte: Miraí Broadcast

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