Professores especializados em preparação e correção de redações apontam 11 eixos temáticos que podem aparecer no Enem 2026, aplicado neste domingo (8) em todo o Brasil. Entre os assuntos mais citados estão inteligência artificial, proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais, mudanças climáticas, inclusão de pessoas neurodivergentes e desinformação científica.
Além de conhecer os temas, os candidatos deverão demonstrar capacidade de argumentação e apresentar propostas de intervenção para problemas sociais, respeitando os direitos humanos. As apostas foram elaboradas por cinco professores, com base em tendências sociais, políticas e tecnológicas recentes e no histórico do exame, que costuma abordar questões contemporâneas do país.
A inteligência artificial aparece como um dos principais eixos. A expansão de ferramentas de IA nos estudos, no trabalho e na produção de conteúdo permite discutir ética, riscos, oportunidades, automação e responsabilidade. Segundo Ávila Oliveira, professor de redação do Colégio Unificado, a proposta pode tratar desde o uso dessas ferramentas na aprendizagem até a substituição de atividades profissionais por sistemas automatizados.
O professor recomenda que os estudantes conheçam conceitos como algoritmos, inteligência artificial generativa, deepfakes, vieses algorítmicos e desinformação. Rógi Almeida, professor piauiense que já teria antecipado um tema de redação em edição anterior do exame, também destaca a necessidade de discutir limites e responsabilidades no uso da tecnologia. A abordagem pode envolver tarefas escolares, empresas e serviços públicos que utilizam sistemas automatizados.
Outro eixo considerado forte é a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. A aprovação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, em 2025, e sua entrada em vigor neste ano ampliam o interesse pelo tema. Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, aponta a possibilidade de uma discussão sobre os desafios para proteger menores nas plataformas digitais brasileiras.
Entre os problemas relacionados ao assunto estão cyberbullying, publicidade direcionada, acesso a conteúdos inadequados, coleta indevida de dados pessoais e uso excessivo de redes sociais e jogos. Daniel Bravo, professor de redação do Cubo Global School, afirma que plataformas digitais utilizam mecanismos para estimular o engajamento e prolongar a permanência dos usuários.
Uma redação sobre esse eixo poderia abordar o papel das famílias, das escolas, das empresas de tecnologia e do poder público na educação digital e na regulamentação do ambiente on-line. A nova legislação também reforça deveres de plataformas e órgãos públicos na proteção de menores, o que, segundo os docentes, reúne uma lei recente, problemas concretos e diferentes agentes sociais.
As mudanças climáticas, relacionadas ao racismo ambiental e à justiça socioambiental, completam o grupo de temas mais cotados. Enchentes, secas e queimadas recentes evidenciaram que desastres ambientais podem afetar de maneira mais intensa populações pobres e periféricas.
Para Celedônio, o tema permite discutir prevenção, planejamento, justiça climática e a responsabilidade compartilhada entre governos, empresas e sociedade. A proposta poderia relacionar meio ambiente, desigualdade e políticas públicas, além de abordar planejamento urbano, fiscalização e modelos de produção e consumo.
Entre os 11 eixos listados pelos especialistas estão também a preservação dos biomas brasileiros, com destaque para o Cerrado; a poluição por microplásticos; os direitos e a inclusão de pessoas neurodivergentes; a desinformação e a confiança na ciência; a importância do esporte; as transformações no mercado de trabalho e os direitos dos trabalhadores; a cidadania e as desigualdades no acesso a direitos; além do consumo, da produtividade e das relações sociais.
Os direitos das pessoas neurodivergentes, como aquelas com transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou dislexia, formam um eixo relacionado à educação, ao trabalho e à inclusão social. De acordo com os especialistas, uma proposta poderia abordar barreiras invisíveis, capacitismo, formação de professores e adaptações razoáveis em escolas e empresas.
A desinformação científica é vista como um tema que reúne diferentes problemas atuais, como a circulação de informações falsas sobre saúde, a perda de confiança em instituições, os ataques à pesquisa e as dificuldades de comunicação científica. Nesse caso, o candidato poderia discutir o papel da escola, da mídia, das redes sociais e dos governos na promoção da cultura científica.
Na área ambiental, os especialistas destacam três possíveis recortes: mudanças climáticas associadas à desigualdade, preservação dos biomas e poluição por microplásticos. Enchentes, crises hídricas e queimadas podem servir de contexto para uma reflexão sobre planejamento de longo prazo e responsabilidade compartilhada.
O Enem 2026 começa neste domingo (8), com provas de linguagens, ciências humanas e redação em milhares de locais espalhados pelo país. A produção do texto dissertativo-argumentativo costuma ter peso relevante na nota final e pode influenciar o acesso a vagas em universidades públicas e privadas.
Tradicionalmente, a redação aborda um problema social brasileiro contemporâneo e exige uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Por isso, temas relacionados à tecnologia, à desigualdade, ao meio ambiente, à saúde e aos direitos civis aparecem com frequência nas apostas de professores.
Neste ano, a vigência do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, a expansão da inteligência artificial e a sequência de eventos climáticos extremos reforçam a avaliação de que a prova pode abordar questões que envolvam ética, regulação e justiça social.
Os professores alertam, porém, que tentar adivinhar o tema tende a ser menos eficiente do que compreender os debates relacionados aos assuntos. A recomendação é que os candidatos tenham repertório variado, consigam relacionar diferentes áreas do conhecimento e estejam preparados para apresentar soluções concretas e viáveis para qualquer um dos eixos sugeridos.
Fonte: Miraí Broadcast
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