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Vídeo suspeito de inteligência artificial leva Bombeiros do Rio a reforçar checagem contra trotes
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Vídeo suspeito de inteligência artificial leva Bombeiros do Rio a reforçar checagem contra trotes

Vídeo suspeito de inteligência artificial leva Bombeiros do Rio a reforçar checagem contra trotes

Um trote sobre um suposto incêndio em um shopping de Niterói, acompanhado de um vídeo suspeito de ter sido produzido com inteligência artificial, levou o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro a adotar um protocolo de dupla checagem para os chamados recebidos pelo telefone 193.

Na manhã de 23 de setembro, a central recebeu uma ligação informando a ocorrência de um incêndio em um shopping da Região Metropolitana de Niterói. Durante o atendimento, o solicitante enviou um vídeo que mostrava chamas nos andares superiores de um prédio, dando aparência de gravidade ao chamado.

Enquanto os militares tentavam obter mais informações, o homem atendia e encerrava rapidamente as ligações. O comportamento levantou suspeitas de trote entre os atendentes, mas as viaturas foram enviadas ao endereço informado. Ao chegarem ao local, as equipes constataram que não havia foco de incêndio.

O vídeo chamou a atenção por aparentar ter sido manipulado digitalmente e possivelmente produzido com inteligência artificial. Segundo o tenente-coronel Fabio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros, ainda não há perícia que comprove a origem do material. O caso está sob investigação da 76ª Delegacia de Polícia, em Niterói, que apura quem fez o chamado e como as imagens foram produzidas.

Após o episódio, a corporação acelerou a implantação de um protocolo interno de dupla checagem das informações repassadas à central 193. O objetivo é reduzir deslocamentos desnecessários sem comprometer a rapidez do atendimento em situações com risco à vida.

De acordo com Contreiras, a verificação ocorre simultaneamente ao envio das equipes. "A viatura é despachada, mas, ao mesmo tempo, é feita essa checagem. Muitas vezes, a checagem é feita, o evento não existe, e aí a gente consegue fazer com que as viaturas voltem para a unidade no menor tempo possível, para que a gente não fique desguarnecido", explicou.

Durante o procedimento, os atendentes cruzam diferentes fontes de informação. Entre as medidas estão a consulta a câmeras públicas próximas ao endereço indicado, novas tentativas de contato com o solicitante e a verificação de chamados semelhantes na mesma região. Quando a inexistência da ocorrência é confirmada, as viaturas são redirecionadas imediatamente.

O monitoramento de redes sociais e de outros canais de comunicação também faz parte da rotina, mas não é suficiente para autorizar o envio de socorro. "A gente só despacha a viatura quando existe um chamado real pelo telefone, quando tem um solicitante. A gente não despacha socorro com base em postagem de rede social", afirmou Contreiras.

O uso de vídeos e fotos manipulados para simular desastres e incêndios representa um desafio crescente para serviços de emergência no Brasil e em outros países. Conteúdos falsos podem se espalhar rapidamente por aplicativos de mensagem e redes sociais, provocar pânico e levar muitas pessoas a ligar simultaneamente para o 193, congestionando as linhas e dispersando recursos.

No Rio de Janeiro, as ligações feitas a partir da capital são atendidas no Centro Integrado de Comando e Controle, no Centro, onde 15 militares registram os pedidos de socorro. Chamados dos demais municípios são direcionados diretamente aos quartéis regionais. O treinamento dos atendentes inclui a identificação de sinais de trote, como contradições no relato, recusa em fornecer dados básicos e interrupções frequentes da ligação.

Além de congestionar o serviço, cada deslocamento provocado por um trote deixa temporariamente desguarnecida a área de cobertura da viatura. Se uma emergência real ocorrer ao mesmo tempo, outra unidade, possivelmente mais distante, precisará ser acionada, aumentando o tempo de resposta e o risco para quem necessita de atendimento.

Entre janeiro e outubro deste ano, o Corpo de Bombeiros do Rio registrou 12.275 trotes, ante 19.118 no mesmo período do ano passado, uma redução de 35%. A corporação atribui a queda principalmente à adoção do aplicativo 193 RJ e às campanhas de conscientização.

No aplicativo, o usuário precisa se identificar por meio da conta Gov.br, o que dificulta o anonimato. "O aplicativo impede que a pessoa use o anonimato para fazer a brincadeira sem graça, de mau gosto, como a gente fala, que é o trote", disse o tenente-coronel Fabio Contreiras.

Apesar da redução, o número de trotes continua considerado alto e ainda afeta a rotina operacional da corporação. Os bombeiros orientam que responsáveis conversem com crianças e adolescentes sobre os riscos das chamadas falsas. Casos com prejuízo evidente ao serviço ou reincidência podem ser encaminhados à polícia.

A corporação aposta na combinação entre identificação obrigatória no aplicativo, protocolos de dupla checagem, monitoramento de informações e treinamento dos atendentes para combater tanto os trotes tradicionais quanto os mais sofisticados, que utilizam recursos de inteligência artificial.

Com a popularização de ferramentas capazes de gerar e manipular vídeos e fotos em poucos segundos, os bombeiros recomendam cautela diante de conteúdos sobre desastres publicados na internet. A orientação é desconfiar de imagens sem origem clara, verificar a data, buscar confirmação em fontes oficiais e evitar o compartilhamento de materiais duvidosos.

"A orientação é basicamente nunca acreditar à primeira vista num vídeo ou numa foto de uma ocorrência. É fundamental que toda informação na internet seja checada", afirmou Contreiras. Os chamados para o 193 ou pelo aplicativo 193 RJ devem ser feitos apenas quando a pessoa presenciar a situação ou tiver informação consistente e verificada.

Para o Corpo de Bombeiros, o enfrentamento aos trotes com apoio de inteligência artificial depende de três frentes: uso de tecnologia para rastreamento e checagem, aperfeiçoamento contínuo dos protocolos internos e colaboração da população, que deve compreender o impacto de um pedido falso de socorro sobre pessoas que aguardam atendimento real.

Fonte: Miraí Broadcast

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